domingo, 27 de abril de 2014

Primeiros dois pontos perdidos

Valdívia foi o destaque da partida | Foto: Alexandre Lops
O cenário inicial apontava uma vitória sem esforço: o Inter entraria no Maracanã e com os gols de Rafael Moura levaria 3 pontos para Porto Alegre. Só que o Inter é tão imprevisível quanto previsível e os erros que tanto lamentamos se repetiram. O colorado de 2013, por mais que contrariem, não desapareceu. Com total superioridade e vencendo com um bom placar, o Inter entregou o jogo ao Botafogo na segunda etapa e volta para Porto Alegre sentindo o peso de um ponto com gosto de derrota.

A velocidade de Valdívia incomodou o alvinegro por toda primeira etapa e a supremacia colorada perante o Botafogo ficou clara nos dois gols que Rafael Moura marcou - o primeiro com belíssimo passe de Aránguiz e o segundo com bela jogada de Valdívia. O Inter manteve a posse de bola e jogava nos espaços que o adversário dava ao tentar criar - tínhamos a vitória nas mãos.

Mancini e Abel modificaram seus times - um acertou e o outro cometeu um erro mortal. Assim que Dida falhou, o Botafogo cresceu. A torcida adversária, mesmo que quase nunca em grande número, jogou junto e levou o alvinegro a uma mudança de postura que apequenou o colorado e nos fez refém de um empate sobre mais uma falha inexplicável de Dida e os dois imóveis zagueiros a sua frente.

Nas costas de Fabrício, a estrela solitária brilhou. O zagueiro colorado Paulão não se contentou em ficar em sua posição e partiu para o ataque acreditando que seu chute faria a diferença. Os infinitos erros de passe condenaram a atuação do Inter no Rio de Janeiro. Abel desapareceu com Aránguiz, e D'alessandro parecia não estar em campo - ao menos de alma, não. 

O Inter e sua capacidade de perder pontos por insuficiência constante. De um jogo praticamente ganho a um empate que passa pelo erro inexplicável de Abel Braga ao colocar Gladestony - uma assustadora inutilidade dentro de campo. Início de brasileirão com a sombra de três anos marcados por erros sobre nós - precisamos nos livrar das repetições que nos fazem ser tão previsíveis.

Para vencer o campeonato brasileiro, o Inter precisa resgatar o idealismo do "Rolo Compressor", além de uma alma que não mais se vê. Alguns cheios de crença ou que não querem enxergar nossos problemas diriam que a mudança de uniforme no segundo tempo não deu sorte. Mas digam o que quiserem, hoje o Inter apenas não quis vencer.

Obs: Uma verdade.



sábado, 19 de abril de 2014

O Inter precisa se bastar

Aránguiz comemora o primeiro gol do Brasileirão
Foto: Diego Vara | Zero Hora
O campeonato nacional deste ano começou, e o Inter, após vencer o estadual - muito bem conquistado por sinal - se volta para o mais-que-possível tetracampeonato brasileiro que, de primeira, já digo que não passará pelos pés de Rafael Moura, Willians e acomodações em geral. Com o pé direito o colorado iniciou a competição vencendo em casa - nada-nem-quase-lotada - o visitante baiano, Vitória.

De um primeiro tempo agitado a um segundo tempo de bagunça tática e acomodação alá 2013 (peguei pesado?), o Inter construiu uma vitória nos minutos iniciais e marcou apenas um gol (o que achei pouco).

Satisfação me invade ao saber que, Abel, com toda sua postura de técnico, é justo ao avaliar a equipe neste sábado - disse que "o time todo esteve mal" e todos sabemos que não é mentira. O Inter sentiu falta de Gilberto na lateral, mas também repetiu uma acomodação após o gol marcado que não nos traz boas lembranças.

Na primeira etapa, o colorado esteve melhor, atacando de forma mais organizada, o que contrastou com a desordem ofensiva da segunda etapa. Algo que nem Abel conseguiu consertar no vestiário. Alex foi a peça chave do primeiro tempo, alternando entre ataque e defesa sem prejudicar a organização da equipe colorada.

É certo que, o preço que pagamos pela força física e qualidade defensiva de Willians não vale a pena se analisarmos sua fraqueza maior, que é errar passes em abundância - e sempre passes que nos deixam em situações claras de perigo. Acho que, se for para trazer reforços, que a direção analise este setor cuidadosamente e seja bem extremista. 

Rafael Moura pode ter começado o ano de forma positiva, marcando gols em clássicos e se sagrando coisas-que-gauchão-te-torna, mas o fato é: estou vendo uma repetição de cenas e Moura jogou contra o Vitória alá Damião 2012/2013 - e isso, meus caros, não é, nem de longe, algo positivo - partindo do princípio que isolamento proposital ou não, é algo negativo.

Alan Patrick apenas correu, chutou demasiadas vezes e errou o alvo em todas. Nossa defesa fica mais lenta com a presença de Juan, porém o adversário não deu visibilidade a este problema na partida de hoje. 

Aposto na qualidade da dupla Aránguiz & D'alessandro para o resto do ano, isso se Luigi não estragar tudo com seus planos diabólicos. Confio na qualidade e vontade do chileno e na mente engenhosa do argentino no campeonato que se inicia.

O alerta é: o estadual com seus cruzeiros-do-rio-grande acabou. É hora de vestir a camisa da seriedade por completa, fazer de cada jogo uma decisão mesmo e eliminar a era de dependência: o Inter precisa sobreviver bem sem D'alessandro, precisa de opções, pois todos sabemos como é que se joga para ganhar um campeonato brasileiro. Chega de quase. O Inter precisa se bastar.

Obs: Sobre o público no estádio, esqueçam de fazer do Beira-Rio um caldeirão. Por mais próxima que as cadeiras estejam do gramado, o gigante não vai "rugir" se o preço dos ingressos continuarem como estão. Acho que é bom a direção rever seus conceitos, se é que consegue fazer isso.

Obs 2: Esse Juan, desde que é Juan, na época de Flamengo, é chato demais. Não deu sossego pro D'ale nem um segundo.

Obs 3: Um aviso.


domingo, 13 de abril de 2014

Um fascínio chamado grenal

"Eles respondem chorando, que sou o dono do sul"
Foto: Alexandre Lops | Divulgação Inter
Grenal 401 que diz implicitamente o placar da peleia. Embora nada há de começar como se deva, o Inter de Abel Braga renasce em mais uma goleada histórica. O heroísmo de D’alessandro, de Alex ou de Abel não se mede nem que as gargantas explodam em alegria ao cantar "minha camisa vermelha" atrás do gol. Os motivos, todos encontrados no sorriso de nosso capitão, transfigura o que chamo de rivalidade, aumentando nosso orgulho de ser dono do sul, cada vez mais.

Pintado de vermelho é o Centenário e sua esperança rubra. De longe, os gritos servem como aviso de uma clássica permanência de ideais, todos pregados pela torcida colorada. Sob aviso, os gremistas entraram em campo, fardados de defesas da imprensa. Mas, do que adiantam palavras e argumentos que não medem forças com o peso de uma camisa? Sirvam nossas façanhas de modelo a tu, gremista, que jamais aprenderá.

De um jogo inicialmente azul a uma goleada surpreendentemente vermelha. Somos, há quem discorde, guerreiros permanentes. O vermelho não se cala, perante o azul não se reprime, vibra e luta como a rivalidade permite e decreta. O mais belo de um cenário de grenal, é justamente a possibilidade do incerto, afinal, clássicos são claros sinais de disputas acirradas até o último segundo, portanto, goleadas são raras e improváveis.  

A redonda corre pelo campo tentando encontrar alguém que a conduza com maestria, até finalmente encontrar os pés de D’alessandro e sua grandiosa capacidade de ser ídolo. O vermelho não se corrompe com certeza, aposta tudo em emoção e gana – e a incerteza nos trás comemorações incessantes. A beleza consiste em ser surpreendente.

O gramado anseia por mais um passe, por mais uma bela jogada. Os torcedores, ao menos os colorados, tampouco se importam com a taça – afinal, as conhecemos muito bem. Nenhum argumento contra os estaduais é válido perto do espetáculo que um clássico proporciona. Perdura, portanto, a espera pelo momento máximo de um regional – o embate que põe a rivalidade como mais um jogador dentro de campo. O gauchão não é charmoso, como diz Paulo Brito - o GreNal é que merece toda atenção e possui todo o charme e importância.

Comemore o momento. Sinta o cheiro da vitória. Não importa a taça que ganhamos em cima deles, o que importa é nossa alegria e orgulho. O significado se modifica - de rivalidade passamos à supremacia. Por quatro anos seguidos a rivalidade desistiu do rio grande – o Inter não tem mais rival.

#InterProcuraRival

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